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CHAYE SARÁ

A porção semanal se inicia com: "E a vida de Sara foram cem anos e vinte anos e sete anos. Estes foram os anos da vida de Sara". Por que a Torá, que não desperdiça palavras, acrescenta um versículo aparentemente repetitivo: "Estes foram os anos da vida de Sara"?

Ráshi, o grande comentarista da Torá (França, 1040-1104), nos esclarece que a mensagem na frase repetida é que todos os anos de Sara foram igualmente bons. Como é possível dizer isto sobre a vida de Sara? Por muitos anos ela não teve filhos, passou fome e viveu no exílio, foi seqüestrada pelo Faraó do Egito e depois por Avimélech.

 

O rabino Zushe de Hanipoli (Polônia, século 18) explicou que Sara tinha a grande virtude de constantemente dizer: "Isto também é para o bem". Mesmo aqueles eventos que muitos poderiam considerar ruins, ela tinha consciência de que vinham de D'us e, portanto, era capaz de avaliá-los como positivos.

 

A qualidade de vida de uma pessoa não depende de situações externas. Existem pessoas cujas vidas parecem correr sempre suavemente. Mas mesmo assim, elas tendem a avaliar pequenas frustrações como tragédias e, em conseqüência, encaram suas vidas em termos negativos. O ideal da Torá é estarmos conscientes que o objetivo da vida é aperfeiçoarmos nosso caráter. Cada situação na vida é uma oportunidade para crescermos. Sara tinha este nível de consciência. Portanto, ao final de sua vida, que foi constantemente devotada ao crescimento, pode-se afirmar que todos seus anos foram bons.

 

É muito importante que assimilemos e absorvamos esta lição. Encontremos possibilidades de crescimento em cada evento da vida. Em cada situação difícil, perguntemo-nos: "Como posso me tornar uma pessoa melhor em virtude do que aconteceu?”

 

Shabat Shalom

 

Uma história para viver

 

Na vida, as pessoas freqüentemente pensam que os fatos acontecem por pura coincidência. Não percebemos que na verdade é a mão de D’us que faz com que as coisas aconteçam em momentos aparentemente não auspiciosos.

 

Na porção da Torá desta semana, temos um excelente exemplo deste fenômeno. Eliezer, após ser instruído por Avraham para encontrar uma esposa apropriada para Yitschac, reza a D’us para que guie os acontecimentos para que seja encontrado o par perfeito. Nem bem tinha ele formulado esta súplica quando Rivka apareceu, agindo de uma forma que demonstrou bondade, no beneficente tratamento ministrado a Eliezer e seus camelos.

 

A Torá relata: "E foi quando ele não tinha ainda terminado de falar que Rivka saiu de repente…"

 

(Bereshit 24:15). Rabeinu Bachya enfatiza que a palavra hebraica para "ele" usada no versículo parece supérflua, e que ao invés de referir-se a Eliezer, "ele" refere-se a D’us. Desta maneira, este versículo conta como D’us intercedeu para assegurar-se de que Eliezer "encontraria" Rivka no momento oportuno. Além disso, os comentários explicam que devido ao recato de Rivka, ela raramente aventurava-se até o poço, mas D’us fez com que ela fosse, naquele dia específico.

 

Se uma cena similar tivesse lugar nos dias de hoje, a pessoa poderia não perceber como este evento foi providencialmente dirigido. Os observadores poderiam ver um encontro entre duas pessoas como algo fortuito – um incidente casual de "rapaz encontra garota". Entretanto, é importante perceber que no esquema mais amplo das coisas, tal incidente não pode ser visto como sendo algo simples; A parceria (shiduch) de Yitschac e Rivka é um excelente exemplo de D’us trabalhando nos bastidores e direcionando os acontecimentos do mundo.

 

Talvez esta narrativa da Torá represente mais efetivamente o termo judaico "basheirt", geralmente usado em referência ao futuro cônjuge de alguém, que será encontrado na hora "apropriadamente estabelecida", e de forma mais geral referindo-se ao conceito de que tudo flui da vontade de D’us.

 

Desta maneira, a descrição do impressionante encontro entre dois dos mais importantes progenitores do povo judeu deveria nos sensibilizar, a fim de que percebamos que a cada fato da vida, a cada encruzilhada de incertezas, e a cada momento de interação, existem eventos que não são meramente acidentais, mas sim exemplos da ativa participação de D’us em nossas vidas do dia-a-dia. As coisas acontecem por uma razão; porém contando apenas com nossa limitada sensibilidade espiritual, nem sempre reconhecemos seu propósito.

 

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